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  • Carlos Rodriguez

ROMÉO ET JULIETTE de Gounod

Atualizado: 12 de Set de 2019

A única ópera baseada em Shakespeare a se manter no repertório standard do gênero

Romeu e Julieta, de Frank Dicksee, 1876


Ao longo dos séculos, Romeu e Julieta vem inspirando diversos gêneros musicais. Há canções, poemas sinfônicos, musicais da Broadway e trilhas sonoras, além de óperas.


Na Broadway, o exemplo mais famoso fica a cargo de West Side Story, com música de Leonard Bernstein, libreto de Arthur Laurents e letras de Stephen Sondheim, numa releitura da tragédia de Shakespeare, retratando também o amor impossível entre Tony, ex-membro dos Jets, e Maria, a irmã de Bernardo, líder dos Sharks - duas gangues rivais de adolescentes com diferentes origens étnicas.


Há também muita música clássica inspirada na peça, incluindo a "abertura-fantasia" composta por Piotr Ilitch Tchaikovski e um brilhante ballet de Sergei Prokofiev, além de uma sinfonia dramática escrita para coro e orquestra por Hector Berlioz.

Ao longo dos séculos, Romeu e Julieta vem inspirando diversos gêneros musicais. Há canções, poemas sinfônicos, musicais da Broadway e trilhas sonoras, além de óperas.

Então, o que faz da ópera de Gounod um pássaro raro?


O que é incomum na versão de Gounod é o fato de ser uma ópera baseada em Shakespeare que é realmente um sucesso e ainda vista regularmente nos palcos de hoje, ou seja: Roméo et Juliette, de Gounod, é realmente a única que ficou no repertório.


Jules Barbier e Michel Carré, os mesmos libretistas que colaboraram com Gounod em outra adaptação - uma ópera baseada no Faust de Goethe - ficaram bastante próximos da peça original de Shakespeare, embora haja algumas mudanças. Eles também modificaram o final: na peça, quando Julieta finalmente acorda na tumba, Romeu já está morto. Na ópera, Romeu ainda tem alguns sinais de vida - o suficiente para os dois cantarem um belíssimo dueto antes que Julieta finalmente desfira o golpe fatal em si mesma, para que os jovens amantes se despeçam, juntos, do mundo que não soube compreender o seu amor.


Um pouco da Julieta de Gounod


No salão de baile dos Capuletos, na Verona do século XIV, quando outros falam de casamento com Julieta, a jovem canta que gostaria de viver dentro de seu sonho, onde é primavera eterna.


Eu quero viver Nesse sonho que me inebria Ainda hoje. Doce chama, Eu te guardo em minha alma Como um tesouro!

Esta embriaguês juvenil Dura, infelizmente, apenas um dia! Então chega a hora Quando alguém chora...

Longe do inverno sombrio Deixa-me dormir E inalar a rosa, Antes de arrancar suas pétalas.

Doce chama! Fica na minha alma Como um doce tesouro Por um longo tempo ainda.


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